Estamos de volta!!

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O Inverno Chegou...
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12 de nov de 2012

TRABALHAR COM ALEGRIA


José Antonio era o seu nome. Mas todos o chamavam de Zequinha.

Zequinha, que logo completaria oito anos, era um menino bom, porém tinha um hábito muito feio: não conseguia fazer nada sem reclamar.

A mãe, com muita paciência, tentava fazer com que o filho entendesse a necessidade de modificar seu comportamento, sem grande resultado.

Como eram espíritas, os pais se preocupavam com as atitudes de Zequinha, percebendo que, se continuasse assim, teria muitos problemas no futuro.

Um dia, a mãe lhe disse:

— Zequinha, sei que você gosta de brincar, o que é natural, pois é uma criança. Porém, todos nós precisamos colaborar, dando a nossa contribuição para o bem-estar da família. 

Jesus fica triste quando não estamos satisfeitos, pois na existência temos muito a agradecer a Deus, nosso Pai. Nada nos falta. Por isso, é preciso manter o otimismo e a alegria de viver nas atividades de cada dia, meu filho. 

— Entendeu, meu filho?

— Entendi, mamãe. 

O menino prometeu que procuraria ser diferente daquele dia em diante.

No dia seguinte, depois que Zequinha voltou da escola, a mãe deu-lhe uma tarefa: comprar sabão no supermercado da esquina, pois havia terminado. O garoto saiu resmungando.

Depois, a mãezinha pediu-lhe que arrumasse a mesa para o almoço. 
De má vontade, Zequinha obedeceu.

Não podendo sair, a mãe pediu-lhe o favor de levar o irmão menor para a escola. Mais tarde, deu-lhe a incumbência de enxugar a louça e varrer o quintal. Sempre reclamando, Zequinha obedeceu.

À noite, na hora do Evangelho no Lar, a mãe perguntou se Zequinha tinha cumprido todas as suas obrigações daquele dia.

— Sim, mamãe. Fiz tudo o que a senhora mandou. Jesus deve estar contente comigo hoje. 

A senhora balançou a cabeça, afirmando:

— Não, meu filho. Ainda falta alguma coisa.

Zequinha pensou... pensou... pensou... mas não conseguiu descobrir 
o que era que tinha deixado de fazer.

— Ora, mamãe, a senhora deve estar enganada. Executei todas as tarefas que me foram pedidas.

E, contando nos dedos, relacionou todas as atividades do dia:

— Fui à escola, ao supermercado, arrumei a mesa para o almoço, levei meu irmãozinho para a pré-escola, varri o quintal e enxuguei a louça. Puxa! Trabalhei o dia inteiro! — reclamou o menino, descontente.

— Mas ainda falta uma coisa, meu filho.

— Qual, mamãe?

— Se você fez tudo o que lhe foi pedido, ainda falta ter executado as tarefas com alegria.

Somente então Zequinha lembrou-se do que havia prometido no dia anterior.

Abaixou a cabeça, reconhecendo que a mãe tinha razão. 

Com ternura, ela acariciou seus cabelos, e disse:

— Não tem importância, meu filho. Amanhã será um outro dia. Deus nos concederá novas oportunidades para que possamos nos corrigir, praticando o que aprendemos.

Tia Célia

Célia Xavier Camargo 

** E você, ajuda a mamãe resmungando ou com alegria?

beijinhos de luz...

15 de ago de 2012

O ESQUILO AMBICIOSO


Certa vez um esquilo encontrou um buraco existente no tronco de uma árvore grande e forte.

Era o abrigo ideal para o pequeno esquilo viver. Muito satisfeito da vida, mudou-se para lá.

A árvore passou a protegê-lo do vento, da chuva, do frio e dos animais selvagens, que sempre representavam um perigo. 

Contente, o esquilo passou a pensar em arrumar sua casa. Como a considerasse muito pequena, desejou aumentá-la. 

Com seus dentes fortes e afiados, começou a roer as paredes para aumentar sua casa. Sonhava em ter uma família e precisaria de espaço para a esposa e os filhinhos que viriam.

Assim, ele aumentou o buraco fazendo mais um quarto, uma sala onde pudessem comer e um depósito para guardar as nozes que encontrasse. O inverno costumava ser rigoroso e era preciso armazenar o alimento de modo a não passarem fome.

O esquilo arrumou sua casa com muito amor, enfeitando e limpando para esperar a chegada da família.

Como não estava satisfeito com o que tinha, desejando sempre mais, foi aumentando a casa e fazendo novos cômodos.


Os outros moradores da árvore, passarinhos, insetos e pequenos animais, reclamaram:

— Esquilo, você está destruindo a nossa casa! A nossa amiga árvore está ficando fraca.

Ao que ele retrucava, indiferente:

— Vocês estão enganados. A árvore é forte e tem raízes robustas.

Certo dia, já no início do inverno, ele tinha saído para arrumar comida e demorou algumas horas. Ao voltar, teve uma grande surpresa. Olhou de longe para admirar a sua linda casa e estranhou:

— Onde está a minha casa, a árvore frondosa e amiga?...

Assustado, não podia acreditar no que seus olhos viam: A árvore, que era tão forte, tão firme, estava caída no chão! 

Como desabara daquele jeito?


Tentando encontrar a razão daquele desastre, o esquilo chegou mais perto para ver o que havia acontecido, e notou que ele, sem perceber, havia-lhe roído as raízes, fazendo com que elas perdessem a força, com o imenso buraco que se fizera dentro do tronco da árvore.

O esquilo percebeu então, tarde demais, que ele próprio havia sido o responsável pela queda da árvore. Que, na sua ambição desmedida, havia destruído as condições da moradia que o Senhor concedera, não apenas a ele, mas também a todos os outros seres que a habitavam. 

Bastaria que se tivesse contentado com o pouco que lhe tinha sido dado, para que ele pudesse ali viver longos anos em paz e segurança. Contudo, o desejo de ter sempre mais, fizera com que destruísse seu lar e o lar dos passarinhos, dos pequenos animais e dos insetos que ali viviam.

Agora, decepcionado e triste, o esquilo lamentava o erro que cometera. Estavam no início do inverno e era preciso procurar outro abrigo, se não quisesse ficar ao relento e exposto às intempéries. 

Porém, ele tinha confiança em Deus. Sabia que, como havia encontrado aquele buraco, encontraria outro. Era preciso não desanimar e aprender com os próprios erros.

Então, humildemente, ele dirigiu-se aos companheiros de infortúnio que ali estavam, tristes, e lhes disse:

— Peço-lhes perdão. Cometi um grande erro e agora todos nós estamos sem um lar. Mas, não podemos desanimar. Prometo-lhes que encontraremos uma outra árvore para morar. Confiem em Deus! 

As aves, os animaizinhos e os insetos ficaram mais animados, sentindo uma nova esperança brotar em seus corações. 


E o esquilo, daquele dia em diante, nunca mais cometeria o mesmo erro, aceitando e adaptando-se às condições de vida que Deus lhe oferecesse.

Tia Célia

Célia Xavier Camargo 

beijinhos de luz...

30 de jul de 2012

A TARTARUGA MENSAGEIRA


Um dia, há muito tempo atrás, os animais habitantes de uma grande floresta ficaram sabendo que um grupo de homens pretendia derrubar todas as árvores para transformá-las em madeira.

Apavorados, pois isso representaria a destruição deles também, resolveram mandar uma mensagem pedindo socorro a um grupo de pessoas amigas e amantes da natureza.

Os bichos se reuniram para decidir quem seria o portador da mensagem, pois era uma missão muito importante, e o local para onde teriam que ir ficava muito, muito distante.

Apresentaram-se para a tarefa: um passarinho, um esquilo, um macaco e uma tartaruga.


– Eu sou o melhor – disse o passarinho estufando o peito –, porque posso voar e, rapidamente, dar conta do recado. 

O esquilo alisou o pêlo macio e falou, orgulhoso: 

– Eu tenho mais condições de cumprir a missão, porque sou rápido e ágil! 


O macaco, coçando a cabeça, afirmou:

– Não! Eu sou o mais indicado porque, pulando de galho em galho chegarei mais depressa ao destino.


Todos riram quando a pequena tartaruga se apresentou. Afinal, tinham urgência que a mensagem fosse entregue rápido, e a tartaruga era, reconhecidamente, muito lenta.


Depois que as risadas se acalmaram, o leão perguntou:

– Por que é que você acha que tem condições de ser a portadora?


– Porque tenho confiança em Deus que o conseguirei! – respondeu a tartaruga com serenidade. 

Após muito discutir, os animais decidiram, muito sabiamente, que para maior segurança, todos os quatro levariam uma mensagem igual. Aquele que chegasse primeiro, teria a honra de entregá-la.

E assim, numa bela manhã de sol, partiram os mensageiros levando as esperanças e a confiança de todos os animais.

O esquilo saiu aos pulos, ligeiro; o passarinho abriu as asas e voou rápido pelo céu; o macaco, pulando de árvore em árvore, lá se foi a perder de vista. Só a pobre tartaruga iniciou a jornada com sua marcha lenta, para chacota dos demais. 

Enfrentaram perigos e obstáculos. Tão logo terminaram as árvores, o macaco teve que continuar também pelo solo. 

A certa altura do caminho ocorreu um grande desmoronamento de terras e, como não quisessem se abrigar para não interromper a marcha, o macaco e o esquilo foram atingidos e não puderam prosseguir.


O passarinho passou voando sem maiores dificuldades, mas a tartaruga, vendo o perigo, com tranqüilidade escondeu-se na sua carapaça esperando-o passar. 

Mais adiante, sobreveio terrível tempestade, e o passarinho, não obstante se agarrasse às árvores para se proteger, foi arrastado pelo vento forte. A tartaruga, porém, novamente parou sua caminhada, escondendo-se em sua carapaça do furor do temporal, esperando o tempo melhorar. Depois, prosseguiu sua jornada.

Em conseqüência das fortes chuvas, regiões ficaram totalmente inundadas, mas a corajosa tartaruga não desanimou.

Guardando muito bem a carta para que não molhasse, prosseguiu nadando.


E assim, vencendo dificuldades enormes, perigos inesperados e obstáculos difíceis, a tartaruga chegou ao seu destino. Ali ficou sabendo, muito surpresa, que era a primeira a chegar!

Sentiu-se orgulhosa e satisfeita, pois foi cumprimentada por todos, como se fosse uma heroína. 

E voltou para casa com os amigos que iriam protegê-los e evitar a destruição da floresta. 



Carregada nos braços, ela chegou coberta de glória, para espanto dos animais, que nunca poderiam imaginar que a pequena tartaruga cumpriria missão tão importante.

Os animais então perceberam que todas as criaturas merecem respeito e consideração, e que todos têm condições de vencer. Que, muitas vezes, não são as criaturas que parecem ter as melhores condições que vencem, mas aquelas que se utilizam melhor das possibilidades que possuem.

Perguntaram então à tartaruga, a que ela atribuía sua vitória.

– Creio que sem PACIÊNCIA, PERSISTÊNCIA, CORAGEM e muita , eu não poderia ter vencido – respondeu ela.

E concluiu com tranqüilidade:

– SÓ ASSIM VENCEREMOS!

Tia Célia
Célia Xavier Camargo

beijinhos de alegria

10 de jun de 2012

JUJUBA O LEÃOZINHO


Habitando uma grande floresta, Jujuba, o leãozinho, crescia forte e sabido.

Sua mãe, Dona Leoa, cuidava dele com muito carinho: dava-lhe banho, penteava-lhe o pelo, aparava-lhe as unhas e alimentava-o.

Muito amorosa, sua mãe defendia-o contra os perigos da floresta, não permitindo que se afastasse muito da toca.

Mas Jujuba, vivendo sempre sozinho, sentia falta de amigos, desejava ter com quem brincar.

Certo dia Jujuba resolveu sair de casa para encontrar um amigo.

Encantado com tudo o que via, embrenhou-se na mata, afastando-se da toca.

Um pouco adiante viu um coelhinho escondido entre as árvores e perguntou:


– Olá! Quer ser meu amigo?

O coelho ao ver quem lhe dirigia a palavra arregalou os olhos, assustado, e gritou, sumindo no meio do mato:

– Um leão!... 

Jujuba não entendeu a atitude do coelho, mas não desanimou.

Andando mais um pouco encontrou um veadinho que pastava tranquilamente. Aproximou-se e disse:


– Olá! Quer ser meu amigo?

Com as pernas bambas de medo, o animal fez meia-volta e desapareceu no meio da floresta, gritando:

– Fujam! Um leão! Um leão!...

Jujuba, triste, ainda não desanimou. Continuou andando e procurando. Mais adiante olhou para cima e viu um macaco enroscado num galho de árvore. 


– Quer brincar comigo? – perguntou esperançoso.

Ao vê-lo, o macaco assustou-se e foi embora, pulando de galho em galho. O filhote de leão, muito chateado e infeliz, pôs-se a chorar.

– Buá... Buá... Buá.

Ouvindo o choro, alguns animais que estavam escondidos se aproximaram. O leãozinho chorava de cortar o coração e eles se condoeram das suas lágrimas.

– Por que está chorando? – perguntou um enorme sapo.


Ao ouvir aquela voz, Jujuba parou de chorar e enxugou as lágrimas.

– Você está falando comigo? – estranhou, pois quisera conversar com ele.

– Sim, é com você mesmo! – confirmou o sapo. – O que aconteceu?

– Por que está chorando? – perguntou um enorme sapo.

E Jujuba, mais animado, explicou:

– Saí de casa para procurar um amigo. Alguém que quisesse brincar comigo. Mas ninguém gosta de mim...

E recomeçou a chorar: Buá... buá...

Ouvindo a reclamação do leãozinho, feita em voz macia e terna, o sapo olhou os outros animais, que abaixaram a cabeça.

– Não se envergonham de ter medo de um pequeno filhote? — perguntou-lhes o sapo.

O coelho, ainda tremendo de susto, indagou mais corajoso:

– É só isso que deseja? Não vai atacar-nos depois?

– Não! Por que iria atacá-los? Quero que sejamos amigos e que brinquem comigo. Sinto-me tão sozinho!

Então os animais perceberam que Jujuba era apenas um leãozinho delicado e gentil, incapaz de fazer mal a alguém. E disseram envergonhados:

– Perdoe-nos. Nós o julgamos mal sem conhecê-lo e sem saber quem era você. Queremos ser seus amigos, Jujuba. Pode contar conosco.

Satisfeito, o leãozinho agradeceu a todos e olhou em torno, preocupado.

– E agora? Creio que me afastei demais e acho que não sei voltar para casa!

Mas os bichos o tranquilizaram, afirmando-lhe:

– Não se preocupe. Nós o levaremos para casa.

Feliz, Jujuba retornou ao lar com um enorme acompanhamento de bichos e, desse dia em diante, tornaram-se grandes amigos e sempre brincavam juntos.

E os animais da floresta entenderam que não se deve julgar as criaturas pela aparência, sem conhecê-las. Que somos, na verdade, todos irmãos, filhos de um mesmo Pai, que nos criou, e que poderemos viver todos juntos em paz e harmonia, se tivermos boa vontade.


Tia Célia

Célia Xavier Camargo

***É isso aí galerinha! A tia Célia está certíssima. Não devemos julgar uma pessoa apenas pela sua aparência. Às vezes olhamos alguém e pensamos que ela é "braba", "ruim" etc e não nos aproximamos dela com medo, E, na maioria das vezes ela é uma pessoa boa, clama e prestativa. 
Vamos conhecer as pessoas antes de julgá-las!

beijinos de paz!

1 de mai de 2012

O BICHO PREGUIÇA


A preocupação da mãe de Caio era conseguir educar seu filho, tornando-o alguém de bons sentimentos, que gostasse de estudar e de trabalhar. Se alcançasse esses objetivos, já estaria ótimo.

Todavia, Caio era um garoto que amava a vida boa, sem responsabilidades nem deveres. Preguiçoso, evitava todo tipo de esforço físico e mental. Achava uma chatice ser obrigado a freqüentar a escola e gostava ainda menos de fazer qualquer serviço que a mãe lhe pedisse. E ela brincava, dizendo:

– Você parece um bicho preguiça! 

Mas Caio não se importava de ser chamado assim. Gostava mesmo era de se divertir com os amiguinhos. 

Certo dia, ele estava brincando e a mãe o chamou para tomar banho. Ele foi para o banheiro resmungando:

– Ah, mamãe! Quero brincar! Por que é que sou obrigado a tomar banho? 


A mãezinha respondeu com paciência:

– Porque é necessário, meu filho! Já pensou como seria se não tomasse banho todos os dias? Em pouco tempo, estaria sujo, malcheiroso e ninguém iria querer se aproximar de você.

– Ah! E se, mesmo assim, eu não quiser tomar banho? – respondeu o menino indisciplinado.

– Estaria sujeito a doenças, em virtude dos microorganismos, das bactérias, que proliferam na sujeira. Quer arriscar?

O garoto baixou a cabeça, inconformado, mexendo na água com as mãos. 


Depois de observá-lo por alguns instantes, vendo que não estava convencido, a mãe considerou:

– Caio, olhe para você! Já pensou na maravilha que é seu corpo?

– Meu corpo?! – o menino levantou a cabeça, interessado.

– Sim, meu filho. Deus lhe deu um corpo perfeito! Tudo funciona bem. Você enxerga bem, ouve bem... Faça um esforço: pense em tudo o que recebeu de Deus. 

O garoto pensou um pouco e lembrou:

– Minhas pernas são fortes e me levam onde quero ir. Meus braços também são perfeitos e tenho bastante força, não é?

– Isso mesmo, meu filho.

Gostando da brincadeira, Caio continuou pensando e descobrindo:

– Sou inteligente e aprendo com facilidade, quando quero. Escuto muito bem. Falo direito, não como a Heloísa, minha colega, que tem dificuldade para falar. 

– Sim, Caio. Papai do Céu lhe deu essas e muitas outras coisas boas que você poderá relacionar. Mas já pensou na responsabilidade que tem por tudo isso que recebeu?

O garoto arregalou os olhos, espantado.

– Responsabilidade?

– Sim, meu filho. É quando temos que responder pelos danos que causamos a alguma coisa ou a alguém. Quando você ganha um presente, não se sente responsável por cuidar dele? – disse a mãe. 

– É verdade. Cuido direitinho dos meus brinquedos e não deixo ninguém quebrar ou estragar.

– Está certo, meu filho. E brinquedo, se quebrar, poderá ser consertado e, se não houver jeito, até ganhar outro. Já não acontece o mesmo com o corpo, que lhe foi dado por Deus de presente para que pudesse usá-lo por uma vida inteira. Então, como acha que deve tratar seu corpo? 

– Não havia pensado nisso, mamãe. Devo cuidar dele, lavá-lo, limpá-lo direitinho para que não estrague e nem deixe de funcionar, como um aparelho quebrado.

– Exatamente, Caio. Conservando seu corpo, ele sempre estará bem e você poderá usá-lo por muito tempo. 

O garotinho pensou um pouco e voltou a perguntar:

– Xiii! Mas não sei como fazer para lavá-lo por dentro!


A mãe achou graça da idéia do pequeno e esclareceu:

– Não se preocupe, Caio. Deus faz tudo tão bem feito que no interior do nosso organismo a limpeza é automática. Os próprios órgãos cuidam de limpar e eliminar o que não precisam.

– Já sei! É o que acontece com as fezes e o xixi. 

– Exatamente. Mas não é só isso, meu filho. Se o nosso corpo material, que é passageiro, precisa de nossa dedicação e cuidados, que não exigirá o Espírito, que é eterno?

– Terei de lavar o Espírito também? – perguntou o menino, assombrado.

– Claro que não, meu filho. Porém, se já desejamos ser melhores, seguir os ensinamentos de Jesus, temos que limpar a alma. Como faremos isso? 

– É difícil, mamãe.

– Não, não é. Basta ter boa-vontade e perseverança. Temos que limpar nossos pensamentos, retirando as coisas negativas. Corrigir os sentimentos, colocando bondade em nossas atitudes. Renovar nossos ideais e aspirações, desejando o melhor, elevando os pensamentos para ter o amparo do Alto. Devemos também estar sempre prontos a trabalhar, aprender e crescer. Jamais ficar parados, sem ação. Sabe por quê? 

– Não.

– Porque existem micróbios e bactérias também no mundo espiritual e que atacam as pessoas que não cuidam da limpeza interior. 

O menino calou-se, refletindo sobre tudo o que tinha ouvido. Depois concluiu, sorridente:

— Tem razão, mamãe. Não quero ser um bicho preguiça.


Célia Xavier Camargo 
Tia Célia

beijinhos de alegria...


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28 de abr de 2012

A SEMENTINHA


Beto estava muito triste. Seu cão ficou doente e, apesar de todos os cuidados, morreu em seus braços sem que ele nada pudesse fazer para impedir.

Já havia se passado uma semana, mas Beto continuava inconsolável. Não se conformava com a morte do cãozinho Vira.

Lembrava, com saudade, do dia em que encontrara Vira, ainda um filhote, perdido na rua perto de sua casa. Tinha aspecto de cão abandonado. Seu pelo era ralo e feio, estava muito magro e gania de fazer dó. Tinha fome, certamente.

Apesar da feiura, Beto sentiu imediata simpatia por ele. Tomou-o no colo e, quando o cãozinho lambeu seu rosto, já estava decidido a levá-lo para casa.

Recebeu o apelido de Vira, de tanto os familiares caçoarem do pobre e feio filhote, dizendo que ele era um legítimo exemplar da raça dos Vira-latas. Assim, apesar do nome que Beto lhe dera, Rex, passou a ser chamado carinhosamente de Vira.

Desde esse dia, tornaram-se inseparáveis. Só não estavam juntos quando Beto ia para a escola e durante a noite, pois a mãe proibira, terminantemente, que o animalzinho dormisse no quarto, como era desejo do menino.

O resto do dia eles divertiam-se a valer: brincavam de bola, apostavam corridas, passeavam na calçada, ou, simplesmente, rolavam na grama.

Vira transformara-se num belo cachorro. Limpo e bem cuidado, em nada lembrava o filhote magro e feio que Beto encontrou um dia.

Mas agora Vira estava morto. Beto sentia muita falta da sua companhia e vivia a chorar pelos cantos. A mãe não sabia mais o que fazer para alegrá-lo.

Um dia, ela teve uma ideia. Apanhou uma semente de flor e disse:

— Meu filho, quer ajudar-me a plantar esta semente?


Apesar de não ter vontade nenhuma, Beto aceitou, apenas para agradá-la. 

Dirigiram-se para o jardim e a mãe foi explicando como o serviço deveria ser feito:

— Primeiro você fará um buraco no solo. Depois depositará a semente na cova e cobrirá com um pouco de terra. Esta semente, meu filho, lançada ao solo, irá morrer e, depois de algum tempo, germinará.

O menino, que ainda era pequeno, não entendeu direito e perguntou:

— Como assim?!...



— Bem, meu filho, tudo o que existe na face da Terra, e que tem vida, precisa morrer para nascer de novo, isto é, voltar a viver. Como isso acontece, só Deus, que é a Suprema Sabedoria e o Criador de tudo o que existe, o sabe. Mas assim acontece com as plantas, com os animais e com as pessoas, para que todos evoluam, tornando-se cada vez melhores!

Beto ouviu muito sério e compenetrado. Em seguida, indagou:

— Isso vai acontecer também com o Vira?!...

— Sem dúvida! Só que a sementinha dele, que é o espírito, renascerá de uma outra mãe, em outro local.

— Ah!... E eu poderei reconhecê-lo?

— Quem sabe? Se nascer aqui por perto, isso é possível! Ele poderá apresentar o mesmo jeitinho, as mesmas manias, as mesmas tendências.

— Então, se algum dia eu reencontrar o Vira, vou reconhecê-lo, mamãe, e tenho certeza de que ele também vai se lembrar de mim.

Beto calou-se, mas a mãe percebeu que, ao deixarem o jardim, ele já estava diferente, menos triste e bem mais animado.

A partir desse dia, Beto cuidou com muito carinho da sementinha que tinha lançado a terra. Cercava-a de atenções, não deixando faltar água. Ele passava horas sentado no chão, ali perto, pedindo a Jesus que permitisse à semente germinar, enquanto observava cuidadosamente o local onde a depositara.

Até que, alguns dias depois, cheio de alegria e entusiasmo ele correu para a mãe, agitando os braços e gritando: 

— Ela brotou, mamãe! Ela brotou! A sementinha está viva de novo! Viva!...

A mãezinha deixou os afazeres domésticos e foi até o jardim. Os olhos do menino estavam brilhantes de emoção, e ela percebeu como tudo aquilo era importante para seu filho. 

Envolveu-o carinhosamente num abraço, afirmando:

— Você cuidou muito bem da semente que lhe confiei, meu filho, e Deus atendeu às suas preces. Parabéns!

Desse dia em diante, acompanhando o desenvolvimento da plantinha, Beto enchia-se cada vez mais de esperança, de confiança e de gratidão a Deus, Supremo Doador da Vida.

Logo, a plantinha cobriu-se de lindas e perfumadas flores, que Beto não se cansava de admirar e mostrar para as outras pessoas, cheio de justa satisfação, dizendo:



— Fui eu que plantei!

Agora, a idéia da morte não lhe causava mais tristeza ou medo. Ao contrário, sentia-se tranqüilo e confiante, compreendendo que a morte era apenas uma etapa natural na vida de todos os seres da Criação, que morreriam e voltariam a nascer, muitas e muitas vezes, para atingir o sublime objetivo da evolução.

Célia Xavier de Camargo

Tia Célia


beijinhos de luz...

21 de mar de 2012

RECEITA MILAGROSA


Ricardo, de oito anos, era o terror do seu bairro.

Onde estivesse, estaria criando problemas. Rebelde e irreverente, ele brigava com todo mundo.

Na escola, os colegas evitavam se aproximar dele. Mas assim mesmo, onde passava deixava descontentes: mexia com um, batia em outro, xingava um terceiro.

Na sala de aula, a professora escutava um grito, e lá vinha reclamação:

— Professora, o Ricardo jogou meus livros no chão!

— Professora, o Ricardo roubou meu lanche!

— Professora, olha o Ricardo! Está me provocando!

Era assim o tempo todo. Uma reclamação atrás da outra. Até que a professora perdia a paciência, colocava o menino para fora da sala e o mandava à diretoria.

Na rua era o mesmo problema. Ricardo não conseguia jogar bola em paz com os vizinhos. O jogo sempre acabava em briga.


Em casa, então, nem se fala! Ricardo entrava dando pontapé na porta, batendo nos irmãos menores, desrespeitando a mãe, reclamando de tudo, quebrando os utensílios domésticos. Resultado: acabava levando uma surra do pai, que estava sempre bêbado.

Ninguém agüentava mais. Era preciso fazer alguma coisa!

A professora, preocupada, resolveu mudar de tática. Assim, certo dia, após as aulas, ela o chamou:


— Ricardo, quer limpar o meu jardim para mim?

O menino aceitou, satisfeito. Acompanhou a professora até a casa dela e foi logo perguntando pela enxada.

— Depois você começa o serviço, Ricardo. Antes, vamos almoçar!

O garoto sentou-se e comeu com vontade. Ao terminar disse:

— Puxa! Faz muito tempo que não como tão bem.


Obrigado, dona Neuza. Lá em casa não é todo dia que tem comida. E, quando tem, a mãe divide um pouco para cada um.

A professora olhou o menino, cheia de compaixão. Jamais pensou que a família dele fosse tão pobre.

— E seu pai, Ricardo, o que ele faz ?

— Fica em casa o tempo todo, bebendo. Está desempregado há meses. Quando saio da escola, ele me obriga a pedir esmolas na rua. Com o dinheiro que eu ganho, que nos faz tanta falta, ele compra bebida e se tranca no quarto. Se uma das crianças fizer qualquer barulho, ele fica violento. Dá uma surra em todo mundo.

— Ah!... E sua mãe?

— Minha mãe trabalha muito. É lavadeira e ganha uma miséria. Ela precisa cuidar de meus quatro irmãos menores e não tem tempo para mim. Acha que já sou bem crescido e que posso cuidar de mim mesmo — respondeu tristonho.

A professora sentiu um nó na garganta e seus olhos umedeceram.

Ricardo foi para o jardim e pôs-se a arrancar o mato que crescia no meio da grama.

Mais tarde, dona Neuza ofereceu-lhe um lanche e, quando ele terminou o serviço, deu-lhe dez reais.

Ricardo ficou eufórico. Nunca ganhara tanto dinheiro!

— Obrigado, professora. Vou passar no supermercado e levar comida para casa. Mamãe ficará contente!


Dona Neuza sentiu-se emocionada com a atitude do menino, que mostrava preocupação pela família.

Percebeu que o problema dele era um só: Falta de amor! Ele se sentia rejeitado, tinha necessidade de amor e fazia tudo para chamar a atenção das pessoas.

Desse dia em diante, dona Neuza passou a tratá-lo de maneira diferente. Todas as manhãs dava-lhe um abraço, um beijo, e dizia-lhe o quanto gostava dele.

Durante as aulas, quando terminava os deveres, ela demonstrava sua satisfação, acompanhada de um sorriso:

— Você está indo muito bem, Ricardo. Ótimo! Continue assim. Parabéns!

Às vezes convidava Ricardo para almoçar e encarregava-o de pequenos serviços, que remunerava. Dava-lhe roupas, calçados, brinquedos e livros.

Até o levava para passear, ocasiões em que lhe pagava um sorvete, um sanduíche ou um doce.

O menino estava feliz. Sentia-se importante. Sentia-se amado.

A professora foi mais longe. Visitou a casa de Ricardo e conversou com a mãe dele, dona Cida.

Sabendo das dificuldades da família, arrumou um emprego para o pai, chamando-o à responsabilidade. Informada de que dona Cida sabia costurar, conseguiu-lhe uma máquina de costura. Assim, ela ganharia mais, trabalharia menos e poderia dispor de mais tempo para cuidar dos filhos.

Aos poucos, as coisas foram entrando nos eixos. Algum tempo depois, todos podiam notar a mudança que se operara no comportamento de Ricardo.

Andava mais bem arrumado, estava mais alegre, tranqüilo, não brigava com ninguém e fazia as lições com capricho. Nada de reclamações!

As pessoas, curiosas, perguntavam à professora :

— O que você fez? Como conseguiu mudar o comportamento de Ricardo em tão pouco tempo? Que receita milagrosa foi essa que você usou?

E a professora respondia com um sorriso:

— A receita milagrosa? É de Jesus: Um pouco de amor!

Tia Célia

Célia Xavier Camargo


beijinhos de alegria...


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7 de mar de 2012

A BANDA

imagem daqui

Numa classe, a professora estava tendo dificuldade em explicar aos seus pequenos alunos sobre os cuidados que se deve ter com o próprio corpo. Dizia ela: 

— É preciso cuidarmos de nosso corpo para que ele possa funcionar bem. Cada órgão tem uma função própria e trabalha para executar a sua tarefa, obedecendo à harmonia do conjunto. 

Por exemplo: o coração é responsável por bombear o sangue, levando-o a todas as partes do corpo através das artérias; o estômago processa a comida; os rins filtram o sangue; os pulmões cuidam da respiração. Tudo isso sob o comando do cérebro. 

Entenderam? 

Os alunos olhavam com cara de dúvida, mas o pequeno Rogério meneou a cabeça, afirmando, convicto: 

— Não. 

A professora tentou explicar de novo, de maneira diferente, mas viu que eles continuavam sem entender direito. 

Aí ela teve uma ideia. Aproveitando o desejo de realizar um projeto que tinha em mente, perguntou: 

— Vocês têm em casa algum instrumento musical de brinquedo? 

Muitos levantaram a mão. 

— Eu tenho um tamborzinho, professora! — disse Rogério. 

— E eu, um pianinho! — afirmou Aline. 

— Tenho uma sanfona! — gritou Maurício, do fundo da sala. 

Assim, apareceram mais três cornetas, duas flautas, uma gaita, um prato e duas violas. 

Satisfeita, a professora pediu que trouxessem os brinquedos no dia seguinte. Apesar de não saberem qual a intenção da professora, as crianças obedeceram.

No dia seguinte chegaram, curiosas, portando seus instrumentos musicais. 

Entrando na sala, a professora explicou: 

— Com esses instrumentos, vamos formar uma banda. O que acham? 

As crianças adoraram. A professora ordenou: 

— Muito bem! Agora prestem atenção! Quando eu der sinal, vocês começam a tocar. 

E assim ela fez. Disse “já”, e todos começaram a tocar ao mesmo tempo. 

Foi uma confusão! Barulho ensurdecedor tomou conta da classe. 

A outro sinal, elas pararam. 

Os alunos estavam horrorizados. Alguns até taparam os ouvidos para o ruído infernal que se fizera. 

— O que acharam? — perguntou a professora. 

— Horrível! — respondeu o pequeno Rogério, ao que todos concordaram. 

A professora sorriu e explicou: 

— Realmente, estava muito ruim. Para tocar em conjunto, é preciso aprender. Só assim teremos um som bonito e harmonioso. Mas, não se preocupem. Vocês vão aprender! 

Dali em diante passou a orientá-los, ensinando como cada um deveria tocar seu instrumento até que estivessem todos afinados. 

Muitos dias depois, quando já estavam em condições de tocar em conjunto, ela resolveu fazer o ensaio geral. 

Sob a regência da professora, eles começaram a tocar o que tinham aprendido. 

Ficou lindo! 

Os sons saíram dos instrumentos na hora certa, na medida exata, numa integração harmoniosa e agradável ao ouvido. 

As crianças estavam maravilhadas! Jamais esperavam que pudesse sair tão bonita a melodia simples que tocaram. 

Bateram palmas, se abraçaram, pulando de satisfação e de alegria. 

Quando os alunos se acalmaram, a professora perguntou: 

— E então? Perceberam a diferença? 

É que, agora, ninguém toca o que quer, como quer. Cada um toca uma parte diferente da mesma música, seguindo uma ordem e com disciplina. 
Isto é um conjunto! 

Fez uma pausa e indagou: 

— Será que essa bandinha tem alguma relação com nosso corpo? 

Para sua satisfação, foi Rogério quem respondeu: 

— Claro que tem, professora! Acho que os músicos são como os órgãos do corpo! E eu sou o coração, porque toco tambor e dou o ritmo! 

— Isso mesmo! Parabéns, Rogério! 

O regente representa o cérebro, que comanda o corpo, não é professora? — concluiu outra aluna. 

— Certo! Vocês entenderam muito bem! 

Então, para que o corpo funcione bem é preciso que cada parte, cada órgão, cumpra direitinho sua função. Já pensaram se cada órgão do corpo resolver trabalhar como quiser? 
Seria um caos! 

Assim, temos que cuidar da higiene, nos alimentarmos de forma sadia, protegendo e cuidando do corpo que 

Deus nos concedeu, para termos saúde orgânica. 

Manter o pensamento elevado, cultivar a paz, para termos equilíbrio e saúde espiritual. Entenderam?

Todos tinham entendido. 

A partir desse dia, o sucesso da bandinha foi tanto que passaram a se apresentar em todas as festas da escola, agradando a todos. 

Deram até um nome para a banda: CORPO MUSICAL. 

Tia Célia

Célia Xavier Camargo

beijinhos de alegria...

Não dê armas às crianças!!

Não dê armas às crianças!!