Estamos de volta!!

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O Inverno Chegou...

13 de jun de 2013

A Bisa


A ‘Bisa’ é um Tiquinho de gente muito especial para mim. Eu falo ‘Tiquinho’ porque ela é bem miudinha e bastante idosa. Eu adoro a bisavó e sei que agora, ela foi descansar porque viveu muitos anos.

Ela também trabalhou muito. Criou os filhos. Ajudou a criar netos e bisnetos. Mais um pouco e a ‘Bizinha’ ia ficar Tataravó. Avó já era antes de ‘bisar’.

O que eu mais gostava na bisa era o jeito mansinho dela ficar olhando seus sonhos.

Bem, acho que era isso que ela fazia quietinha na sua cadeira. Quando a gente ia brincar com ela, então ela dizia:

— Me deixa! —, e sorria um sorriso de bebê.

Eu sei disso porque a Bisa, tirava os dentes e colocava num copo com água.

Bisavó é a coisa mais linda do mundo. Tão frágil, dócil e fofinha que até dá vontade de apertar e morder.

A gente costuma falar que bisavó parece pururuca de toda enrugada pelas lutas, pela vida e pelo tempo. Mas a gente fala porque toda bisa é meio surda e pergunta mil vezes:

— Hein?! —.

Aí, a gente explica e ela responde assim:

— Ah!... —. Parece criança.

Os cabelos da bisa são branquinhos iguais algodão ou nuvenzinhas. Acho que a bisa tem tantas lembranças que ela acaba não se lembrando de quase nada. Acho também que bisa sonha acordada e quando dorme aí sim, é que garra a pensar. Acho, mas não sei explicar porque. A bisa é um pouco confusa, atrapalhada com datas, fatos e coisas que já se foram ou estão acontecendo. Deve ser porque nunca sabe se está desperta ou dormindo.

Além de frágil feito um bibelô, anda igual um bichinho de porcelana. Com medo que escorregar, cair, quebrar e virar caquinhos sem ter como colar. Por isso ainda, bisa é como se fosse relíquia da família, todos brincam, conversam, tocam, riem mas não se pode descuidar.

O bom mesmo é ter Bisa!. A gente abraça e ela fica feliz. A gente beija e ela fica mais feliz ainda. A gente fala e ela também fica feliz. Mas acho que ela fica feliz mesmo é quando a gente deixa ela em paz. Senão ela não diria:

— Me deixa! —, voltando a cochilar e a contar sonhos como se fossem um eterno rebanho de carneirinhos pulando as cercas das recordações!.

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Não dê armas às crianças!!

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