Natal está chegando gente!

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Com muitas bênçãos e presentinhos!

8 de mar de 2010

O Segredo da Onça Pintada


Livro: O Segredo da Onça Pintada
Autor: Adeilson Salles 

O dia amanheceu lindo na mata. Pássaros cantavam alegremente as belezas da natureza. O sol acariciava as folhas das árvores com seus raios bem quentinhos.

O movimento das águas clarinhas do riacho - chuá ...chuá...chuá...- entoava uma delicada música de agradecimento a Deus.

Veados, capivaras, antas e tantos outros animais bebiam nas águas do riacho que, tais quais um espelho, traziam o céu para a terra.

Nás árvores, macacos pulavam de galho em galho fazendo muita bagunça.



 

 

 

De repente, tudo silencia. Os animais, bem quietinhos, erguem as orelhas como a ouvir um sinal de perigo. Tudo agora é silêncio absoluto. Somente se ouve o barulhinho das águas do riacho:

- Chuá..chuá..chuá.....

Dona Anta, prevendo um perigo que se aproxima, olha com preocupação para seus filhinhos, e eles, entendendo o aviso, vão para bem pertinho da mamãe.

Do alto da árvore vem o grito de alerta dado pelo mico-leão-dourado:

- Lá vem a Dona Pintada, corra turma, que ela vem aí!!!

O susto foi geral e grande a confusão. Em segundos, todos os animais fogem. Araras voam rapidamente, seguidas dos papagaios e outros pássaros. Até os peixes acostumados a nadar na superfície das águas buscam a parte mais profunda do riacho.

Ouve-se, então, um rosnar aterrador:

- GRRUUUAAARRRRRR!

A passos lentos e credenciados, ela surge em meio às folhagens. Sim, era ela mesmo, a temida onça-pintada. Aproxima-se das margens do riacho e, entre gemidos e lamentações, bebe um pouco de água.


Epa!!! Entre gemidos e lamentações???????

Sim, amiguinhos, a terrível onça-pintada gemendo e chorando, dizia:

- Ai, ai, ui, ui, pobre de mim, só com uma onça infeliz como eu é que isso poderia acontecer. Que destino o meu, ai, ai, ai! Até quando vou carregar este segredo?

Alguns macacos escondidos nas árvores ouviam as lamentações da Dona Pintada, sem entender o que estava acontecendo. E ela continuava:

- Se alguém descobrir o meu segredo estarei desmoralizada, ai, ai, ai.

A onça-pintada tomou um pouco de água e, ao ver a imagem de sua bocarra refletida na água, deu um grito assustador:

- AAAAIIIIIIIII!!!!!!!!

Ainda se refazendo do choque que a sua imagem lhe causara, Pintada ouve uma voz baixinha que lhe diz:

_ O que está acontecendo, Dona Pintada?

Procurando intimidar a intrometida, ela rosna ferozmente - GRRUUUAAAARRRRRRR!!!!!!

- e outros animais ouvem esse rosnar muito longe dali.

- Calma, calma, só estou querendo ajudar!

A recém-chegada era a velha e sábia coruja, que fora atraída para o riacho pelo choro de pintada.

Pintada tentou manter a pose e a fama de violenta, e disse:

- Saia já daqui, sua bisbilhoteira do olho grande, vá cuidar da sua vida, vá!



Por que a senhora está chorando, Dona Pintada? - insistiu a coruja.

- Onça como eu não chora, se você não for embora daqui, eu vou comê-la como café-da-manhâ.

A ameaça da Dona Pintada vinha acompanhada de ais e uis:

_ Ai, ui, ai, ui.

- Tem certeza de que a senhora não quer me contar por que está gemendo? - continuava insistindo a coruja respeitosa.

- Você é como toda a bicharada desta floresta, está doidinha para descobrir o meu segredo, não é?

- Mas eu nem sabia que a senhora tinha um segredo! Tem mesmo?

percebendo que falara demais, Dona Pintada tentou consertar:

- Bem...quer dizer...isso é conversa do macaco-prego, aquele invejoso. Como eu sou a mais poderosa da floresta, ele tenta destruir a minha imagem. Quem está por baixo sempre quer falar mal de quem vive por cima como eu.

- Eu nunca soube que a senhora guarda um segredo. Para mim é novidade.

- Ai, ai, ai, chega dessa conversa boba, ui,ui,ui.

- Só estou tentando ser sua amiga, vim até aqui atraída por seu choro.

- Não preciso de amiga, principalmente de uma como você, metida a saber tudo.

- Dona Pintada, nós precisamos ter amigos, já que vivemos todos juntos na mata.

- Pois sim! Amigo meu é barriga cheia.

E, dizenso isso, Dona Pintada rosnou ameaçadoramente:

- GRRUUUAAARRRRRR, ai, ai, ui, ui.

Com calma, Dona Coruja disse:

- A senhora está precisando de auxílio. Ora, ora, deixe-me ajudá-la! Está sentindo alguma dor?

- Noite passada, saí para caçar e mordi uma tartaruga, quer dizer, me dei mal naquele casco duro, ai,ai,ai.

Falando assim, Dona Pintada olhou para todos os lados e, sem conseguir se controlar, começou a chorar. Chorou...chorou...chorou...

- Não fique assim, o que está acontecendo? Fala, filha de Deus! - insistiu Dona Coruja.

- Você me chamou de filha de Deus?

- É claro que chamei. Você também é uma filha de Deus.

- E Deus existe? 
- perguntou a onça espantada.

- É claro que existe, foi Ele que nos criou.

- E como você sabe que Ele existe? 
- desafiou Dona Pintada.

- Ah! basta olhar à sua volta e verá tudo o que Ele fez.

Olhando para todos os lados, Dona Pintada resmungou:

- Não estou vendo nada demais...somente a floresta onde moramos!

Virando os enormes olhos, Dona Coruja respondeu com paciência:

- Então, Dona Pintada, é isso mesmo...a nossa floresta é criação divina. Tudo o que não foi feito pelo homem, por Deus foi feito.

- Como assim?

- É verdade, Deus criou as florestas, os animais, os homens...

Sem conseguir conter o espanto, a Pintada interrompeu Dona Coruja:

- Criou os animais?

- Sim senhora, Deus nos criou!

- Então Deus é bom?

- Deus é eterno, imutável, imaterial, onipotente, único, soberanamente justo e bom - 

Dona Coruja explicou de um fôlego só.

- Puxa! Ele é mesmo tudo isso?
 - a Pintada perguntou desconfiada.

- Sim, Ele nos ama muito!

A onça então começou a chorar. Chorava...chorava...chorava...

- Mas por que a senhora chora tanto, Dona Pintada?

- Se os animais são filhos de Deus, Ele deve estar triste comigo 
- a Pintada afirmou soluçando.

- Por que Deus estaria triste com a senhora?

- por quê?! A senhora ainda pergunta, Dona coruja? 
Eu já perdi as contas de quantos filhos de Deus eu já comi.

Sorrindo a coruja respondeu:

- A senhora comeu animais porque eles fazem parte de sua cadeia alimentar, não foi por maldade, foi por necessidade.

- É mesmo?
 - indagou a Pintada, suspirando aliviada.

- Sim senhora. Eu não lhe disse que Deus é soberanamente justo e bom, quer dizer, muito, muito justo e bom?

- Disse!

- Pois então, tudo na vida acontece de acordo com a sabedoria do Criador.Deus sabe de tudo que precisamos. Não chore mais.

- Está bem, eu acredito na senhora!

A Pintada pensou, pensou... 
pensou mais um pouquinho e disse resolvida:

- Acho que vou confiar na senhora, 
Dona Coruja, vou lhe contar o meu segredo.

- Se quiser confiar em mim, eu garanto, por todas as minhas penas, que ninguém nesta floresta irá saber.

Confiando pela primeira vez em alguém, Dona Pintada disse:

- Se é assim, vou lhe contar, a senhora promete que não vai rir de mim?

- Prometo!

- Meu segredo é este  e abrindo a bocarra, mostrou o seu segredo.

Os olhos da Dona Coruja pareceram saltar, sem acreditar no que viam.
 E, impressionada, afirmou:

- Não acredito no que estou vendo!

- Ai, ai, ai, pode acreditar, Dona Coruja!

- A senhora só tem um dente? 
Preciso ver isso mais de perto!

- Você prometeu não rir de mim!

- Promessa é dívida, não vou rir da senhora.

Vendo que não corria perigo, a coruja pousou perto da Dona Pintada, que disse com tristeza:

- este é o meu segredo, ai,ai,ui,ui. Por isso eu procuro amedrontar os outros animais com meus grunhidos, para que todos se afastem e eu não deixe de ser respeitada. Imagine, Dona Coruja, só tenho um dente e agora ele está doendo por causa do casco da tartaruga.

A coruja, com todo cuidado, falou:

- Mas a senhora não precisa ter vergonha de ter apenas um dente, todos nós temos os nossos problemas. Eu também tenho um segredo.

- E qual é? 
- Dona Pintada perguntou curiosa.

- Olhe bem para os meus olhos! 
- pediu a coruja, se aproximando mais da onça.
A Pintada olhou admiriada para Dona Coruja e, rindo, mostrando seu único dente, disse:

- Com o respeito que lhe devo, Dona coruja, a senhora é vesga?

- Sou vesga sim, e não me envergonho disso.

Nossas diferenças não podem nos impedir de ter amigos.
- Somos todos iguais perante Deus.

Pela primeira vez na vida, a onça banguela deu uma sonora gargalhada mostrando para todo mundo o seu segredo. Ela olhava para Dona Coruja, que também rachava o bico de tanto rir, sem saber na verdade para onde a coruja olhava.

Ouviu-se então uma gargalhada geral vinda das moitas e árvores. 
Os animais, antes escondidos, agora sem ter mais medo da dona Pintada, 
aproximavam-se rindo muito.

E, entre eles, vinha Dona Tartaruga que mostrava aos outros bichos um furo no seu casco.

E todos, muito contentes, às margens do riacho, puderam aproveitar aquela manhã para se tornarem mais amigos, respeitando as diferenças uns dos outros.

E vocês, que acabaram de descobrir o segredo da onça-pintada, também sabem aceitar as diferenças dos seus amiguinhos?

Gostaram e aprenderam algo importante com a historinha?!


*soninha*

Imagens:
Vera Stefanello
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