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25 de mar de 2014

Slow parenting: o movimento que defende a desaceleração da rotina dos filhos


Cresce no Brasil o movimento batizado lá fora de slow parenting, que defende a desaceleração da vida dos pequenos, para dar a eles tempo para explorar o mundo. Experts garantem que isso resulta em crianças com mais iniciativa.

Cada coisa a seu tempo. É esse mantra que a designer Luana Gorenstein Cesana procura seguir para educar Caio, de 1 ano e 5 meses. "Para que ter pressa?", pergunta. "Fico impressionada ao ver que muitas crianças têm agenda de adultos. Não quero isso para meu filho." É o menino quem dita o próprio ritmo. Ele não foi superestimulado, por exemplo, a sentar, engatinhar ou caminhar. "Andou quando se sentiu seguro. Tanto que não precisei ficar dando a mão para ajudá-lo", relata Luana. 

"Acredito que, ao tentar antecipar etapas, tiramos a autonomia da criança." Caio nunca assistiu TV, porque a mãe acha que o fascínio exercido pelo aparelho poderia fazê-lo perder o interesse por coisas simples. E, em vez de um monte de brinquedos, o garoto tem só uma caixa com alguns que ganhou de presente. Mas sua principal diversão é puxar a vassoura ou o aspirador de pó como se fosse um cachorro.

O valor da brincadeira

"Criança tem de ter tempo para ser criança e a oportunidade de se encantar com as coisas", diz o pedagogo Paulo Fochi, coordenador do curso de especialização em Educação Infantil da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul. "Brincar é uma forma de construção de conhecimento sobre o mundo. É a maneira que ela tem de criar hipóteses, refutar o que não dá certo ou persistir se não está convencida de que não é possível daquele jeito." Não à toa é especialmente importante que os pequenos tenham muito tempo e espaço para isso até os 6 anos, idade de ingressar no ensino fundamental. Mesmo depois, é preciso ter boas brechas para simples brincadeiras. "O desenvolvimento neurológico sadio depende disso", afirma Adriana Fóz. "Queimar etapas certamente trará consequências mais adiante."

Dicas para desacelerar

O escocês Carl Honoré, criador do conceito de slow parenting, ensina os primeiros passos para a família entrar no ritmo certo:
1. Experimente não ler sites e manuais para pais durante uma semana. Tente descobrir seu próprio estilo de maternidade e o que funciona melhor para sua família. Não se preocupe com a educação que seus amigos dão para os filhos.

2. Quando levar seu pequeno ao playground, resista à tentação de interferir e sempre ser a parceira dele nas brincadeiras. Afaste-se um pouco para que ele brinque sozinho ou com outras crianças.

3. Deixe horas livres na semana, sem atividades estruturadas, para que a família simplesmente se reúna para descansar, conversar, jogar, cozinhar ou se dedicar a qualquer outra coisa prazerosa que der na telha.

4. Permita que seu filho conte naturalmente como foi o dia na escola, em vez de exigir um relatório completo assim que ele chegar.

5. Defina períodos do dia em que as crianças devem desligar o computador, se desconectar e afastar-se de qualquer gadget.
 "Criança tem de ter tempo para ser criança e a oportunidade de se encantar com as coisas" 
*Paulo Fochi, pedagogo*


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